Friday, November 9, 2018

I ask you to fight

I ask you to fight from within

Against the worst of worlds
listen to savor the syllables
listen to savor the sounds
listen to the letters
that hang within
no place to go
beyond the blisters
no heart to pound
beyond the failing
one
that nevertheless
beats

fight I ask
when you lay your head
on the white shredded pillow
that muffles the bang of the bullet
that flies in-between the gun
and your head

Raise your hand
I ask
and touch my weeping face
I say
Fight for another day
please just fight for another day

If you knew how much I hate you

If you knew how much I hate you
you'd be afraid of me
my silly smiles and warm coming legs
the negritude of years gone
inscribed in my skin
so deep
you wouldn't know where
to start looking
if you guessed that
my rivers of tears are rivers of spit
you'd knew to hide
but you rather pretend
so I don't run
you rather bob bob
bop bop your bolly head
than face my hatred
and as always
I keep going
you keep going
train trails
hearing my screams in the distance
and nothing
nothing
happening
but this strange feeling
that I've been here before



Thursday, November 1, 2018

meus céus e seios

a vida encontrada por um ou dois dias para
logo se perder enevoado o mar e o canto das
sereias
que chega de Lisboa ao centro do raio de nada
este lugar onde o prazer não se senta e nem
o canto se faz rio nada mais que o frio
aqui
e a vida já perdida há tantos anos atrás que
agora só a manhã verde lima da morte
me aparece gulosa melosa inflada de
flamingos e céus cor-de-rosa
minha pele algodão esfiapado
de tanto esperar se arrepia
e meu riso de sol esperneia
qual criança arredia
Mas se aprendi alguma coisa
é que não vale a pena fugir
das reprises de amor dos absurdos
infantis que nos perseguem
até ao jardim de Alá
Me aquieto
antecipando quando já não seja eu
e tudo possa ser novo
na praia clara que há de ser
meu seio.

Wednesday, October 31, 2018

tenho saudade

tenho saudade
do amor que era espírito corpo e precipício
onde caia de mansinho em cravos
bocas-de-leão camélias e hortênsias coloridas
mal me tocavas tão de mansinho
mas tua pele meio fedida o bater do teu coração
que escutava quando não dormia
me adivinhava a farsa do dia
de noitinha vieste depois tu
bruta a cama para onde me arrementias
e vossas vozes tão previsivelmente iguais
e vossas mãos tão iniquamente pedras
nos bolsos de meu corpo nu
submergindo no azul mais branco
onde escapando interminavel mente
alcançava gelada chegava
e por debaixo do iceberg
te encontrava
e o gelo de meu corpo desnudo afogueado
se derretia.
Minto.
E já não me sinto tão sozinha.


Tuesday, October 30, 2018

a doença: guerra civil

Conforme o corpo dolente tremente
quente
me corrói
vou-me acalmando
aceitando a inevitabilidade da minha própria
guerra civil
fuzis, bombas despoletando a qualquer hora
meu corpo correndo enquanto meu corpo
cai, abatido a tiro
enquanto a batalha continua
incessantemente
. chegas.
como senão fosse nada
como senão fosses nada
. às vezes ainda penso que somos nada.
mas quando me afasto
lutando guerreando caindo
e ainda assim levantando-me
reparo que a tua voz me aniquila
tão perfeitamente
que já não tenho mais com quem lutar.

o fingimento

perguntas-me se não escrevo
e eu mais ou menos digo que não
enquanto ris
e me dizes que ao invés, vivo,
mas não
mais ou menos
apenas respiro
. e vejo-te
e caminho. contigo
pelos caminhos desenhados a cimento
onde a casa se abre para as traseiras
e os figos apodrecem sobre as pedras.
perguntas-me se não escrevo
e enquanto te respondo
quase que acredito que sim
que posso ser quase inexistente
dado o facto irrefutável
que Só
não sei que faça
a não ser escrever sobre esta dor absurda
de nada ser
não haja a folha em branco.
A verdade,
é que preciso de ti
ou de alguém como tu
para fingir que não vivo
sou muito mais feliz
no fingimento.

Wednesday, October 24, 2018

a raiva vai chegando de manhãzinha

a raiva vai chegando de manhãzinha
o silêncio absurdo que não
é mudo espezinhando o mel
que se derrama na cozinha
o frio vem vestido de saliva,
pronta para ser cuspida
na minha cara banzada
face à indiferença
inflada de presunção felina
e se toco nos cotos dos dedos
que não se enrodilham
nos meus
a alucinação fantástica do
direito mascúlo irrompe
na mesquinharia com que se aninha
em putas sujas mais
fedidas que apodrecidas úlceras
a raiva me assola assim de manhãzinha
e não fora
a criação pronta para a porrada vesga
estaria longe e linda frente à estação de trem
que daqui me levaria até chegar ao ponto
de ônibus onde muitas mais que uma formiga
destruiria o pasto da agonia humana
plantada nos supermercados nos escritórios
nas escolas nas oficinas
e na tua estupidez.
Mas criada para ser saco de porrada
fico, vítrea e paralisada
sobre os bordados lençóis
empastados de tanta grosseria.