Thursday, April 27, 2017

Juparanã nos igarapés

Juparanã nos igarapés
e eu aqui entre a neve e o nunca
se ao invés eu estivesse ai
e pudesse ser Odara
poderias tu fazer de mim
tua Rainha?
Rio
como que chorando lamento do tempo
porque sei
que samba batuque capoeira macumba
ou Santa Madre Igreja que fosse
jamais poderias tu adorar-me
assim
tão tanto
e isso
meu Rei
apenas
porque
simplesmente
eu não seria

eu era tão linda tão linda tão linda

eu era tão linda tão linda tão linda
parecia uma flor uma nuvem um nenúfar
atravessado entre o lago e o céu
eu era tão linda que não havia quem me suportasse
de santa e doente e rastejante e insuportavelmente fantasmagórica
eu era tão linda
e
agora
que sou um arremedo de mim
ainda assim
fogem de mim

Tuesday, April 25, 2017

howling your name

but i do not need help i need a whip a bite scars and nails across my skin
that flies against the sheets and tries to push the roof atop onto the end of
the day
where you lay
far away
pretending you did not slip into my bed
as i slept in peace like a bird in the wind
dreaming of you ravaging me pulling me against
yourself
so hard and strong i'd be happy to be tied and long
the night and longer the day
so i would not see you astray
but its fine its perfect its just as it should be
me
here
retracing one night without a pencil
because you see
the pencil
you stuck it in me
writing
laboriously
underneath my lips
the first letter of your face
directions that shape my mouth
when howling your name into the valley where i pray
on my knees
on your knees
that tremble and shake
as my mouth picks up pearl after pearl of the holy rosary
and my naked round nailed body swings at the mercy of my Lord

Rainha

preciso que rasgues minha carne com tua pele
curtida raspando sobre o que resta da minha
necessito teus dentes separando meus músculos
dos ossos de meu peito lacerado por essa
tatuagem marcada a carne fria
a ferro e fogo e meus seios cuspidos
se escondendo
do dia
dentro da mesma tua boca
que os mastiga e rói e chupa
e que faz mel de tanta carne
de tanto beijo anelado em ópio surripiando-se
dos cantos das nossas bocas vermelhas
carnes despeladas
dentada a dentada
comidas sob o branco dos lençóis
Que Prazer Seria se fosse assim Sacrificada
entre Cordeiros ovelhas e Lãs grossas
com este amor agasalhado com cobertor
teado
lenta
e
feroz
mente
meu homem me cobrindo
Rainha

declarações de amor ridículas

às vezes far-te-ia declarações de amor daquelas
à vista do mundo que pouco entende de um amor
assim feito de esquadros desenhos a preto e branco
sem um único coito sem uma única ausência sem o nada
mais que não o intenso coro da desemelhança em uníssono
no espaço que dividimos como ser humanos que não somos
tu e eu uns desses seres híbridos
que vivem entre o além e o aquém
da fronteira ténue da pele
com a tela

Monday, April 24, 2017

prayer

may the goodgod take me before you
take me
to the neverending time of no
desire

pieces of me

he opened my legs unceremoniously
and pulled Without warning
the long sinuous blue snake
he had carefully placed
                 inside of me
he pulled strong and bitter and without
ever looking me straight in the eye
the motherfucker
who plucked the snake
while i held your hand
and did not scream
it was a child
he was pulling
from inside of me
Without warning he threw it
in the trash