Sunday, January 20, 2019

and my nights are brighter than your days

I tell you and you alone
the blueness of the nights
where you teach me the tricks
of being
a wild chariot
a winged capricorn
a moaning siren
blots beyond the tallest trees
onto the stars
and sinks into the deepest cliffs
onto waterfalls of dark
the blueness of my nights
filled with the sighs I sigh
when you shout my nameless
names
intertwines with lazy crocodiles
basking delightfully in the sun
and make me radiate
in such a way
that no day
of theirs
can compare
to my darkest
blue
nights

And she said "girl, you must protect yourself"

"she's not that pretty, and stinks
oh how she stinks
and wails, and whimpers day after
day
sleepless nights and weary dawns"
and that's how it went
the words in the wind
so no hungry witch
starving for cherubin children
would approach the rocking
cradle
"do not count your blessings
keep them close to the heart
at the flip of the wings of
the butterflies"
and she grew
and witches still flutter
hovering at bay
and
she hugs you tight and light
kisses you deep and depthless

behind closed shutters

and the witches look next
door
for in the wind
all that they hear
is how the threads of her hair hurt
with the passing breeze
and none of them wants any
of that.





Thursday, January 17, 2019

à espreita...peeking

Fico à espreita mirando a galeria por onde
desfilam as criaturas
defiled
o traço mais ou menos angular que aponta
num sorriso dúbio
para quem ao meu lado se senta
sem isenção de supostas ingenuidades
non-exempted
com os olhos cheios de algas miro
as tempestades que se alçarão pelo Atlântico
em honra ao meu mirar
raging
tão nu e cru que se despem de véus e túnicas
para que eu possa vaticinar
o que ali se anuncia
profetiza de tudo o que já foi
usado
e
feio
energúmena repetição da mesma traição.

Tuesday, January 8, 2019

imundície

chegando no final do tempo em que eu era eu
chegam as sombras do que pairava
invisível sobre a chuva miúda
onde eu era a carochinha
às vezes barata imunda
mas sempre porque um raio de luz
me levitava das trevas
brilhando tão alto que nada via

foste tu
nas tuas lágrimas mais aflitas
que me disseste dos esgotos
onde lobisomem devoravas
ratas e perdidas larvas acolhidas
no centro dos corpos das mulheres
que na antecâmara da vida fingida
sabiam da imundície que a mim não me era
dada
ver

deixaste-me a mácula aberta e agora
aqui estou
no fim de mim
já aberto o esgoto
engolido o esterco
sórdido onde as varejeiras pousam
calmas
e numa tranquilidade verde tão sonora

Monday, December 10, 2018

seguro a golfada

seguro a golfada enquanto as vozes
se acumulam conjuntamente com os rabos
que as ratazanas distraidamente
deixam no peitoril da varanda

sem nojo do tempo reparo que não
há dó de peito que me salve
apenas a crença cega nos olhos
semicerrados dos roedores
que espreitam pelos buracos
dos vazadouros
prontos para a peleja
são milhares essas
cegas criaturas esfaimadas
e pérfidas no rancor da fome

no peitoril da minha varanda
jaz um pedaço de pão apenas
e
as vozes fedem já à pútrida bílis
encaroçada no fundo da garganta

seguro a golfada os olhos fixos
nas pupilas esgazeadas da rataria
que sorri na trégua prometida

Monday, December 3, 2018

Escreverei apenas o futuro

Se pecados não há
pecados não houve
e
engorda o sol abraçando-se
aos lençóis da cama
onde dormes sem medo do tempo.
E esboroa-se o pão com tanta manteiga 
e borras de bocas de café sobre a bancada
da cozinha
onde à vez batemos
claras em castelos
que se erguem de pedra e cal
e onde nossos verdes filhos trepam
só para seguir subindo
E embalam-se suspeitosos carinhos 
sobre a fronte e riem-se
as corolas das flores
pomares na sala de jantar
sem rebentos e sem mesa onde apoiar
as bocas cheias ceias bestiais
gargalhadas intactas
E a seiva eloquente da gente
aninhada gemada
como se o amor só fosse.

Este, porém, sem nunca tê-lo sido
cresce
e de chocolate e morangos
e de leves os ovos
E o sol já
na beirada da janela.

Pecados não hajam bocados de ouro
e brocados de seda bronzeados peitos
e pernas tão fortes
que juro
escreverei apenas o futuro
farto corpulento e tão roliço
que nada mais ouço senão o riso.