Tuesday, June 29, 2010

Não sei se amei a ti...

Não sei se amei a ti
ou ao teu amor por mim
tão pouco sei se amei quem és
ou quem sonhei
apenas sei que amei alguém
que um dia me amou também.
Quando clamares por mim
na verdade seca do sonho acabado
vinte anos de hoje já passados
lembra-te que pelo menos para mim
o sonho não tem fim
e que o anjo que um dia vi
é o mesmo anjo que nos lê aqui

Sunday, June 27, 2010

tanto amei...

"tanto amei teu amor, que confesso, desorientei...perdi noção, louca e poeta que sou, não pude resistir" Flávio Venturini



não me adoras já,
passou o tempo em que tua deusa me fazia
senhora, amada, querida, criança
teus braços o mundo minha alma meu colo te oferecia

o altar teus olhos, anjo barroco que do céu caíste
não me adoras já, teus beijos inteiros de minha boca não mais
e porque teu amor não é terço meu centro resiste
e em águas não escorre curva de rio que agora sou,
acumulo terras e minha boca pedras, mas meu peito persiste

e me amas te amo apesar
do pesar
mas nosso amor imenso correu do rio para o mar
teus olhos incenso aceso luar
na noite te ouvi afastando-se o cantar
tanto amei que mais não tens para me dar

tanto amaste que no meu peito te afogaste

Monday, June 21, 2010

18 de Julho de 1888...


Querida amiga

as suas palavras são como a sua pele, suave como a noite que cai. Na noite adormecida guarde um sonho para mim.

 Seu amigo do coração.

18 de Julho de 2008 (7.53 pm)

Gostei dos teus beijos. São suaves os teus lábios. Guarda uma noite para nós. Beijinho. Até amanhã.

19 de Julho de 2008 (3.01 am)


Então o concerto foi giro? Já viste a lua? Agora também te dava um beijo redondo como a lua. Um beijo.

 (1.47 pm)

Estou em casa ainda, vou comer alguma coisa e vou para lá...e a menina? Beijo.

(7.04 pm)

Ainda pensei que te conseguia roubar um beijo mas já não fui a tempo. Deixaste-me fora de mim. Um beijo molhado, num sítio à minha escolha. Até logo (espero eu!)

(8.08 pm)

Amo-te.

19 de Julho de 1888

Minha amiga do coração
a música que tocou esta noite encantou a lua no céu apenas porque lá de cima a lua espreitava o seu rosto, redonda a lua imitava o seu sorriso e a luz que oferecia era a luz do seu peito aberto ás cordas, acordes, a música que a leva sempre em direcção ao mesmo céu onde eu queria estar, apenas para lhe dar um beijo...dar-lhe-ía um beijo minha amiga, um beijo redondo como essa lua que a alumia. Um beijo aqui lhe deixo.

A madrugada vai longe, a manhã já passada...e de si, nada...preparo-me para almoçar e depois irei até ao caminho da marginal. E a menina? Encontrá-la-ei?

Deram as sete da tarde e nada, ainda sonhei que conseguiria roubar-lhe um beijo mas já não fui a tempo. Deixa-me fora de mim, devo confessá-lo...dormirei sonhando com esse beijo, molhado das águas do mar que salpicam o seu rosto. Amo-a já, com todo o meu ser.

Friday, June 18, 2010

17 de Julho de 2008 (11.23 am)


Sou eu, na folha escreveste a seguir ao teu número"se te apetecer alguma coisa"e agora apetece-me
apetece-me voltar a agradecer-te pelas palavras que escreveste.
São muito bonitas. Obrigado. Beijo.

17 de Julho de 1888

Minha cara amiga
na carta que me deixou oferecia-me a possibilidade de voltar a contactá-la, para o que fosse...pois hoje não pude resistir ao impulso de lhe agradecer do fundo da minha alma as palavras que me dedicou. São belas minha amiga, como o seu sorriso. Um simples obrigado não lhe faria justiça, atrevo-me assim a deixar-lhe os meus préstimos, para o que for.

de novo e sempre frente às escadas






de novo e sempre frente às escadas te encontro,
cabelos de fogo sobre a janela inusitada de um tempo
que não passa a não ser nas horas.
de novo em português quero ser voz
dos pássaros alados que de tua boca me alcançam
beijada enfim
sem que línguas de marfim se enrolem ao redor do não.
os dias infindos para além do mar onde nos busco
te deram o sim como sinal do amor
sem agora ontem ou depois janela frente às escadas
onde teus dedos bússula e meus dedos vento
do norte em teus cabelos,
irmãos amantes amados amaríamos
acaso tua boca
tivesse eu deixado em ninhos
gaivotas simplesmente planando
ao redor dos sons roucos de teus dedos
em meus centros sem compasso
distendendo planaltos nos sábios lábios do sim
do amor que ditaste acaso
quando escadas se estendem eternas,
e nelas te sentas teus braços lanças
talvez moreias
ao redor de mim
eu que tentei o tempo sem mágoa
quantos anos sem relógio
pois que sabe o tempo de um amor assim
e não sabes tu que poeta não passam os anos sobre mim?
ah que nada importa se beijada fui
mel e açucar mascavado sulcos e mastos
deixando seus rastos na memória do que sempre
seremos, lembrando, serenos, tuas rugas sol ardente
que
como sempre
lambo curando inventando teu corpo incólume
sobre mim
pois que poeta te desenho
e poeta não passam os anos sobre ti.
e quando mergulhes caçando moreias
finalmente cansadas exaustas suadas
saciadas do que jamais foi fuga mas apenas luta,
oferenda me faço troféu do desejo
trespassado por teu porte masto onde me agarro
galgadas as escadas que por mim sobes.
Homem que assim és como te quero
quando me derreto lava de cabelos
espalhada na brancura dos lençóis
teus olhos sorrindo para mim
moreia derreada nos teus braços
sorrindo para ti.
E assim seja de novo e sempre