Thursday, October 29, 2015

Escuta

Agora que me escutas por entreabertas portas
ouvirás a tua voz
como se minha fora
Peço-te pois que se escutas o silêncio
hoje
o reconheças como o eco do que não disseste
Há muito
Nem sei mesmo se boca tinhamos.
E posso quase jurar que a surdez
era
total.
Hoje
Vejo tua lingua 
empurrando 
porta
por 
entre 
as 
frinchas.
Mais não digas,
também eu 
te escuto no escuro.

Sunday, October 25, 2015

Paira desassossegada

Paira desassossegada sobre as ruas
ÍngrEMes dos dias em que não trocamos
Palavra
incólume à distância
e à minha ausência inaugural
Transplantei-me ao cerne do tempo
para que o que resta de mim pairasse
enfim
sobre ela
Mestra do enredo do ouro e da hora.
.Por amor.
acordaria
no seio
da
lembrança sonora da língua

lida.
Reinvento a minha presença
para que paires
sossegada
entre as varandas que unem nossa lingua
una.
Sejamos uma.

Sunday, October 11, 2015

in Portuguese

life lingers in the space of my memory
in Portuguese
once i dream in English
i'm forever caught in the one
you
wanted
me
to
be
i linger in the chambers
of death
every day
wondering
if i'll ever wake up
to the one
i am
na língua dos povos de lá

portuguese

the ambiguous loss
of my suspended life
in-between the sounds of the language
in which i recognized myself
i stand trapped
in-between the one that went missing
and the one that keeps talking
the ambiguous loss
of myself
in English

Saturday, October 10, 2015

Dou-te portanto o corpo de minha boca.

A fragilidade do corpo que agora parece desfazer-se em
poeira
(E talvez no canto dos pássaros)
sinto-a no vento condoído do meu rosto
que  dá de si na laçada larga de minha pele
poída
de viajante
caranguejola
e de menina
envelhecida esquecida 
espaço do passo essencial da ausência.

Quando me vejo por dentro 
ainda
questiono o dia
Quando me vejo por fora 
é o cine
a tela a interpretação do texto que tão pouco lia
mas que agora espreito 
sabendo-o ensaio geral da vida que não sabia que tinha.
Se me vejo ainda refletida no lago dos afetos
É porque me dás o verbo no sonho que ocupo no teu olhar
No teu sentir
No teu amar.
Mil vezes e outras mil te agradeceria
por me dares a vertigem da alegria de me saber mais que o meu olhar
por dentro e por fora 
do que foi 
e talvez fora
e que pode ainda vir a ser
no que seja futuro
onde me será dado ver o eu
esmiuçado na alma que queda
atravessada na leitura de mim.

Quero dizer-te que me sinto
Agradecida

Mas a palavra é oca. Dou-te portanto o corpo de minha boca.


Monday, October 5, 2015

Só tu

Só tu para me levantares às alturas do sonho
E de lá me soprares a palavra alada
Que me alimenta como ar
Levanto meus braços e alço-me
Para além da terra fria
Para te abraçar
E assim ficar
Pairando onírica
Perfeita
À tua imagem
Recanto dos teus versos
Noturnos.

between psychotic and iconic

between psychotic and iconic
what a perfect life for a poet
who lost her ways in the New World
between a muse and a goose
I wonder where to lay
my eggs

old tarot readings
unrequested
unfulfilled
I definitely incline toward psychotic
but a muse!
ah! that I leave to you
as you conjure my name
in your dreams
and I attend to you
like Beatrice to Dante
preventing the fall onto the 8th circle

a psychotic muse
I smile and thank you.