Sunday, August 30, 2009

Silêncio

O ar rareia
respiro alagada
a areia ardente
que cospe tua boca
amada
silêncios imensos
onde nado sereia
e respiro a areia
com que a tua raiva
queima
minhas loas
lançadas às chamas
de tua boca
seca
com que me punes
E atas minha boca ao mastro
minhas mãos abertas
ao silêncio
para que morra
buscando esperando arranhando
a surdina
raio de tua voz
ausente

Friday, August 21, 2009

and Father everywhere

A small bed
the most beautiful picture
atop
your Father everywhere
.and my blind love.
I want to save you from ourselves
but Saint Jorge has punished me
closing my road to tears laughter and
the courage to throw it all away

I can see the small bed again
atop
my Saint of devotion
sneakily smiling at me.

There is hope
as I am thrown against the wall
his hands up high
between my legs.
We pray.
The paths are open.

I will see the small bed again
I will whisper to your Father
I will not protect him from desire
and he will learn faster
swifter
he will be smarter.
.through me.

He prays with me
kneeling
knowing nothing.

Fly back

I just realized I fly for fourteen hours straight
so I can bless the sense of firm land
no matter where
I realized I fly from an open ocean
to encircled lakes
I fly
so I can fly back.

Neverland Alwaysland

For Xmas
we'll swim back to Neverland
and make sure to stay there
the four of us
my angel, warrior of the open paths
who now dresses in black
ornating his red beard and ruby sword
my girl, dreamer of the world to be
who roots her feet on the ground
and foresees the era of the Aquarium
our baby boy, breastfed by Venus
a cloud of fish in the sky.
For Xmas
we'll swim back to Neverland
under the blessings of Ogum
me and you
holding the train of time.

De peixes e alados cavalos

Rasguei dezenas de cartas
galguei milhares de quilómetros
atravessei céu e mar
apenas para te encontrar
sentado no degrau errado
da única escada que eu não subira.
Alcançar-te para lá da escada
fora das cartas das estradas
dos oceanos de tempo e
das políticas mesquinhas
consignadas pela pele olhos
músculos e cabelos.
Deixar que me alcances
quando frente a ti
apenas meu rabo alado
roçando teu rosto.
Rasgarei calendários
destruirei estradas
e com meus cascos
levantarei o pó do tempo
até que de novo vôo
meu rabo alado
roçando teu rosto
crina descendo sobre os olhos
e tu
outro.
Atravesso de volta contra o tempo
na potência da esperança de não morrer
jamais a cada ano que vem
e de que cada ano sejam três meses
e que tu me envies aéreos corações
de propulsão amorosa
embrulhados em redes de pescador
e sorrisos de homem feito
fazendo-se ao mar sem medo.
Atravessarei o tempo sentada
nessa mesma rede
e saberás do amor.

Monday, August 10, 2009

a tua mesa posta

Sem vento não vieste nem cheiro de ti cheirei
passei à tua beira como se nem minhas noites fosses
mentirosa sorrio com baldes e baldes cheios
dependurados debaixo da minha saia
baldes de palavras aguadas tão ínfimas
que não são mais que lágrimas
carrego baldes de lágrimas em sorrisos
que finjo linda cantando em tom maior
enquanto não vens finjindo não me ver
nem cheirar nem sonhar em tuas noites
na tua cama sem que me possas tocar
fico eu mesa que fui carregada de morangos
em tua boca posta a mesa em tua boca
esperando o vento chegar
entornar os baldes das palavras
das lágrimas chuva por sobre o meio de mim
arbusto carregada
dos morangos
da tua boca
sobre a mesa que sou suspiros de vento
na minha boca a cada morango embebido em mim
a tua mesa posta

como seria bom morrer de amor

como seria bom morrer de amor
só porque sim já que não morro de não
nem de falta de pão
ah como seria bom morrer de amor!
só a olhar para ti enlanguescida
perdida da razão e de qualquer outra oração
que não seja a do Santo que te abençoa
ah seria bom ir de amor
eu que tenho de ir da morte de cada dia
de cada partida ida insana vida
como seria bom
morrer
de
amor...

Sunday, August 9, 2009

S. Jorge

não é saudável
S. Jorge da Mina nos salve
não é saudável
S. Jorge de Capadócia nos proteja
não é saudável
S. Jorge da Praia nos carregue no colo
pelos gelos do desamor
Eu sou Ogum Iemanjá e rezo Avé Marias
pelas almas das crianças que fomos
Tu são
Jorge não
ela deixou-te e eu salvar-te-ei das dores
ela deixou-te e eu salvar-te-ei das dores
e de costas voltadas fiquei sem espada nem escudo
e de costas voltadas se abriu a porta da besta
célere que me arranca os olhos
se abriu a porta da besta
sádica que de foice me corta as mãos
S. Jorge da Mina da Praia de Capadócia
quero chorar mas como se sem olhos?
quero rezar mas como se sem mãos para levantar aos céus?
Jorge sou eu e Ogúm e Iemanjá mãe menininha
sou

sem segredos nem medos
que não seja o de ser negada
S. Jorge nos salve das dores do desamor
são
Jorge

Saturday, August 8, 2009

daqui a anos

talvez saibas o que te digo
e apenas porque és água rubi jasmim
e só porque assim te fiz assim serás
ou não saberias jamais
talvez saibas que triste é a morte
e que lábios foram feitos para beber e dar
talvez saibas que morrer é negar
à borda de água a gota sede inteira
pronta para ser areia
talvez bebas as lágrimas que choro
hoje eu que crio de lágrimas
cada maré cheia
meus olhos que te banham
tua pele agora grossa feita
vinte anos passados
verás meus beijos no mar largados
e que seja sempre assim
pois não fui mais que fim

Friday, August 7, 2009

Peixe

faço-te luz raio vermelhos seriam teus cabelos
ultrapassando todas as outras luzes
de unhas longas como grãos de areia
que só vês
cheiras sorris e sussurras que não
não faças assim
quando ainda te lembras
de côcos derretendo por ti
só porque sol te vejo e de manhã sorrio
a boca serena infantil cheia naúticas velas
teu suor sorrindo sempre como rubi em mim
teus olhos de sorte nos olhos de quem se mira
no relance de cada passo
porque te amo e te encontro
e guardo a luz das pedras verdes
com que me sorris escondido no meio do não
de suor e areia que bebo engulo deixo
que escorregue no único prazer que ofereces
jasmim do mar
jarro de sal
justa de medusa
ganho porque estás ali
simplesmente guardando as camas
de quem dorme incólume ao sol
dos rubis que se passeiam de leve
nos teus passos de areias douradas
impressos em minhas unhas longas
que em vão vêem os grãos que sopras
boca de jasmim salgado que não beijo
não beijo não beijo não beijo
sou peixe
e não beijo o mar só porque não quero
e rio lambendo o suor que sobra...

Sunday, August 2, 2009

Palavras de carne e osso

conheço-te de longe, o ondular do teu andar qual mar
reconheço-te os cabelos das ondas onde mergulho
incontáveis mergulhos de onde re-emerjo sereia
sorriso de um ano de olhos fechados
em que de manhã me acordavas
debaixo das águas límpidas e quase tão frias
da piscina natural onde te vi nadar como virgens meus olhos
teu corpo humano desejo apenas de me orgulhar de ver-te
nadar
sempre
e levantar teu rosto aberto em direcção a mim
eu que te espero sempre do outro lado do sonho
metade gente metade urso
pois que hiberno por um ano
e por um ano me esqueço que sou
nos teus abraços de mar.
E te guardo.
Nos olhos húmidos da minha quase noite te passeias
até que eu não queira acordar porque o dia não és tu
e dias infindos são
...até que te vejo carne e água e cabelos e algas e desejos
e um peito cheio de palavras douradas e azuis que me fazem sorrir
cheia de peixes
e por um dia pelo menos por um dia de um só ano recebo de viés
o amor que nos demos e de viés não durmo
porque já é areia cana de pesca e mar
e a tua mão leve sobre meu ventre
meus dedos pássaros em teus braços e a certeza de que sim!
E guardo todas as águas e amadas algas e dedos de onde te farei
carne e osso imprimido a negro
em água e pasta de madeira e te farei eterno
letra palavra a eternidade de um amor sem tempo
eterno como para mais ninguém
pois que sem tempo nem espaço te amo
e amarei
como não amam meninas mas sereias
sim