Tuesday, November 26, 2013

my eyes ran way

Because there was no one else left to hurt
they unburied the dead and chop their heads off.
Because they could not kill their birth moment
they decided to assume their own parenthood.

Appalled at the murder of wombs
my eyes ran away from myself
to be flooded in lakes, rivulets, and lagoons.

the promiscuity of death

Facing the promiscuity of death
are the living
no longer protected by the divide
between
life
and
death.
The living falling ill
by the incurable disease
that spread
from the morgue
to
the
cradle
died in horror that death was no longer for eternity.

Monday, November 25, 2013

Sugar yourself please

Sugar yourself please
or yet
offer me the perfume of your tea.
As the red of her blood spilled on the leaves
I drank, grave and serious
the sugared perfume of the child.

After the burial
my dizzy heart
lay
side by side on her tombstone.

Unlike the child it knows no death
but yet
collapses
tired of such red a cruelty
as sugared as her blood.

I left without me but at arrival

I left without me but at arrival
the emptiness of my space was heavy and full of shadows.
As good a girl as I could be I cleaned the shadows off my way
and overdreamt, tired of such a trip.
My future fainting I dreamt of being reborn:

She was nobody and as such could only speak with silences.
The noise of her words finally subsided and
as good a girl as she could be she cleaned the moonlight off the stairways
and let her voice born of her wings.

So big were her words
that both me and I swiftly travelled on them.
So big were her words that
we got lost in them.
And woke up.

The dream spent the day away;
and we,
we walked on our footsteps,
and saw our shadows flew by.

Wednesday, November 13, 2013

deixa-te disso menina.

engulo os comprimidos um atrás do outro e espero dormir
ou talvez não acordar ou esperar que amanhã o corpo seja outro
noutro lugar feito de ossos outros onde não se sinta a carne
e não nos doa a vida
se ao menos escrevesse e as mãos fossem de vidro
impávidas e já nem lembrassem que escrevi por ti
e apenas por ti
um dia
talvez amanhã seja outra agonia que se dissolva
em pó
ou na cama fedida
de um corpo que apodrece em vida.

No me lo recuerdes

Di-lo-ei...se bem que ache que ninguém mo pergunte. 
Di-lo-ei porque é como se estivéssemos todos loucos
e eu aplaudisse acaso calasse. Por isso te procurei.
Pelos esconsos dos corredores e numa língua que não é a minha.
e ao raiar do dia sei lá do que me dizes ou escreves
entaramela-se a minha língua na tua que se assemelha
à que falo
como se fossemos um e sem divisas
e fosse só o sotaque
ou o finalizar da sílaba
finalmente música
o português 
quase.
Ya, recuerdo demasiado bien. 
No me lo recuerdes.
Di-lo-ei porém
pois que só assim não faltará à lingua
desejos de assim ser
el portugués que recuerdo.

Viver em meio às ruínas, aos buracos da estrada

Viver em meio às ruínas, aos buracos da estrada
o mesmo cabelo ondulado e o nariz arrebitado
e o papel que se foi
e saber de tudo
o senhor meu marido
a minha filha
e todos os cães mortos no jardim
das traseiras
pouco ou nada a dizer que não saibam desde sempre
são os mesmos buracos as mesmas ruínas
e não há volúpia da carne que apague
a cidade perdida que se acendia de noite e de dia
e onde os pés queimavam nos passeios de pedra
negra e branca a desenhar os passos que bem sorriam
e a cidade sempre lá de longe como a mãe que nunca vinha.
hoje não tenho ruínas
e nem fantasmas alucinados ou dias de alegria
espero que as horas andem para onde alguém me diga
sempre fiz como se queria
e a imagem de mim flutua adormecida
as eternas ruínas onde me refaria
se tal verbo existisse e eu fosse sempre menina
já não vivo em meio às ruínas e perdi o papel
o papel
o papel
onde as palavras eram aviões e os livros o que escrevia.
Quero as ruínas da minha vida.