Saturday, July 16, 2016

Amar Amante

Meu nome é Janaina Amarante, Mar de Pai e Amante de Mãe
meu corpo se estende na beira da praia areia molhada de seixos
e rochas, peitos e sexo, peixinho de abrir e de fechar,
sou tua amante sem ondas nem hora para ficar
sou teu céu espelhado nos cacos de vidro que vestem
as sereias de encantar
Meu amado se perdeu por entre os limos e redemoinhos
onde se alinha e desliza a água do mar
Eu perdida de amores transcorrida em dores me vesti de coral
e de cantar
Meu nome é Janaina Amarante e te amo para sempre
no fundo
do mar.

Friday, July 15, 2016

me beija

Queria escrever-te mas como sempre já não sou gente
sobrevivi à pena lacrimejando sentida
rosnando ferida
E muito embora te pese
a notícia que me iria
A verdade é que sem mim tu serias e estarias e nem o mundo se
ressentiria,
creio.
Imagino.
Incêndeio.

Se pudesse escrevia-te todo o dia só para escutar
teu coracção batendo e o pulsar da alegria
que dia meu amor que dia esse em que nem gente fomos
mas tanto e sempre e quem sabe sabe que para nunca mais
e quem sabe talvez talvez talvez
para amanhã
ou quem sabe hoje ainda
não chegues cantando
sem ser de saída. Te amo menino meu filho querido
meu pai meu amigo meu amo e nem meu nunca meu
nada meu
porque nem um beijo me mandas na aleivosia.
E acho que nem de menos seria um beijo no cordão que liga
meu pensar e tua pele macia.
Me beija me beija me beija de manso e ligeiro
como quem nem pensa
Me beija me beija me beija
pois beijo é coisa que requebra a alma e torneia a melodia.
Me beija pois que se acaba a vida.
A minha.


à porrada

enquanto a dor me puxava pelos cabelos e as minhas pernas corriam
para bem longe bem longe bem longe
de mim
arrepelei-me do que restava, enterrei as unhas nos recessos
dos pelos das bocas e dos ouvidos
das bocas
das bocas
da boca
e arranquei-me do fim
atropelada no ato.
O que será O que será O que será de mim sem
saber
onde
me
meti?
que será de mim? e no silêncio putrefato esbofeteio-me
sem dó.
Não preciso de música para me acabar à porrada.

Wednesday, July 6, 2016

Gorda

gorda de beijos esparramei-me sobre as flores
e perguntei-te
dos filhos
e dos dias
em que não me amavas e eu chupada
e magra aflita e preta
de tantas noites e desvãos.
Deitei-me inteira sobre o verde
do chão
e calei-me de beijos na boca cheia
vermelhas as maçãs do rosto.
Em que moldura me emolduraste assim
tão luzidiamente negra tão profusamente rotunda
apenas e exclusivamente cheia
por intermédio e fim desses beijos tantos
com que me desenhas?
Perguntei-te.
E na tua resposta nua abri meus lábios núbios
para que outra vez e outra
me engordasses de ti.