Friday, April 28, 2017

the vessel of love

i save all the pieces, once again i save all the tiny
pieces of love
before the axe comes
for i have no choice
and you none the less
i am what is left of death
and you are my obituary
once again
only this time
you blow us the blows of life
under which
my tiniest vessel
will pass

this mass of stitches and veins

this mass of stitches and veins
of ropes and hoses
this wild corpse that swings
still with nothing
but the licking you carefully do
wiping the fluids the catheters and the ruins
insisting
that I may keep swinging
fluid and light
a murmur of pleasure
a sight of scented roses and jasmines
far
far
far
from
the fight

Thursday, April 27, 2017

Juparanã nos igarapés

Juparanã nos igarapés
e eu aqui entre a neve e o nunca
se ao invés eu estivesse ai
e pudesse ser índia, cobra e menina
poderias tu fazer de mim
tua Rainha?
Rio
como que chorando lamento do tempo
porque sei
que orixás caboclos candomblé e macumba
ou Santa Madre Igreja que fosse
jamais poderias tu adorar-me
assim
tão tanto
e isso
meu Rei
apenas sei
porque
simplesmente
eu não seria

eu era tão linda tão linda tão linda

eu era tão linda tão linda tão linda
parecia uma flor uma nuvem um nenúfar
atravessado entre o lago e o céu
eu era tão linda que não havia quem me suportasse
de santa e doente e rastejante e insuportavelmente fantasmagórica
eu era tão linda
e
agora
que sou um arremedo de mim
ainda assim
fogem de mim

Tuesday, April 25, 2017

declarações de amor ridículas

às vezes far-te-ia declarações de amor daquelas
à vista do mundo que pouco entende de um amor
assim feito de esquadros desenhos a preto e branco
sem um único coito sem uma única ausência sem o nada
mais que não o intenso coro da desemelhança em uníssono
no espaço que dividimos como ser humanos que não somos
tu e eu uns desses seres híbridos
que vivem entre o além e o aquém
da fronteira ténue da pele
com a tela

Monday, April 24, 2017

prayer

may the goodgod take me before you
take me
to the neverending time of no
desire

pieces of me

he opened my legs unceremoniously
and pulled Without warning
the long sinuous blue snake
he had carefully placed
                 inside of me
he pulled strong and bitter and without
ever looking me straight in the eye
the motherfucker
who plucked the snake
while i held your hand
and did not scream
it was a child
he was pulling
from inside of me
Without warning he threw it
in the trash

while there is time

i wish you would let me love you perfectly
time is so short death is so right there
i should be able to be given that
by
you
the possibility of loving you
perfectly
because
we
have nothing 
but the least death will give us the most love can breath usi wish you would let me love you perfectly
before time elapses
and one gets distracted

"Doer aparenta-se com o inquieto e magoante auge dos espasmos"

senão doesse em excesso em loucura lenta e grossa
seria eu a sereia já alquebrada que sou ainda tanto
e tão e cheia de prazer que tão pouco
estranho a dor que chega sempre
todo o dia enquanto quase se me para a vida
quase se me para o tempo
quando ouço por dentro a voz da dor angústia
glória antecipação do dia em que não mais te amarei
não porque me canse de amar-te
mas porque assim e apenas
esse
é o fim
que nos espera
quer tu queiras perder-me agora
ou um pouco mais tarde
meu amor

temas

hoje temi tremi temo que também tu
a mim temas como todos os tremas
que da língua portuguesa no Brasil
se foram temo que assim me fique
fora de ti porque afinal também tu
me temes e talvez mesmo porque tremes

that is a poem in itself

randomly i remember one night very late, almost morning, me driving in Lisbon, the night was warm and i stopped on the red light...the radio was on, and i heard someone reading my words...to this day i remember the strangeness of the feeling and sometimes i wonder if i was delirious...it was just a man reading it on a very very late hot night​my name was not heardhablas en suspiros y respiros​can you hear me breath?... could you hear me breath that night?i looked at you and your voice was so beautiful so here so therediré tu nombre veces y veces      sin contarlaslo diré como si no te amara      como si te amarala vida secreta de las palabras es casi nuestra vidathat is a poem in itselfword collagesjust so I don't lose youforeverwhen I'm voiceless and gone

Sunday, April 23, 2017

I have the glory of being able to say that of pain

you said you tried to imagine
the pain
and for you if not for me
for my memory fails me every minute
I will tell
about the lonesomeness of the hospital
bedroom amidst the bitter lying voices
of the nurses of the emergency room
bitches indeed
who scourged of me, a remnant of pre
historical times and humanes no longer alive
one amiss
me
screaming the pain of the blades that tore my organs
inside out yelling so loud and clear para o caralho
para o caralho vão todos para o caralho
quando já tinha implorado por morfina
quando já atirara pés por sobre as mesas
e enterrado unhas nas carnes macias das meninas
enfermeirinhas e enfermeirinhos
filhos de putas e cabrões
a quem não ensinaram a dar amor, cuidados, carinhos
so the animals poked holes in my veins that tore in lakes of bluish purple
deafened blood on purpose
let's pretend this is her fault and show her what pain is
be still or we might not find the hose
that was the joke
you ridiculous pretense of human beings
my pain is something you will never feel for your nerves were cut short
at birth
and lobotomies were slowly performed
in every school you ever set foot
I have the glory of being able to say that of pain
few
know
the whole heartedly process I do
know
repeated it once and twice and thrice and more
first my father and the punches and the ropes
then her father and my wrists twisting under his
as my uterus flowered in gulfs of red all over the carpet
finally me
missing such memories of lovingly violence
feeling so lonely in the middle of nothing
that my body wrote I LOVE YOU
in sharp stones on the inside of my kidney walls
and then my body screamed I LOVE YOU
and started throwing stones until no more could pass
and a whole white wall had been erected
and no more water no more blood
and my poor heart murmured once i love you
and drowned, so tired, so tired, so tired
and finally They said: we were wrong, I am sorry
you cannot leave but you must behave
and tied me down to the bed, head upright every hour
muffled moans of morphine
and they poked more holes in my arms left and right
more holes through hidden channels that you almost licked
like an amorous cat in some future memory
I fleetingly catch to never let go
And I kissed my Daughter
Recognized Antigona in the operation room
and turned off.
the latina beast finally put down
so the american doctors sigh in relief and unisson
no sex until you come back and we tear you open again
the pain was something like this
more or less
but I only cried my tears of sorrow for seconds forgotten already
while They,
They will never imagine the beauty there is
In Me



e assim ficamos os três

talvez ela e eu nos pareçamos, 
talvez em algum lugar obscuro sejamos a mesma
talvez a pudesse amar a ela, como a ti, 
talvez haja em mim demasiado peito, ou 
quem sabe não me aperte a consciência
de me ter aberto a delírios 
desleixada a minha vida por água abaixo 
terra acima
e o meu corpo não faltasse tanto na hora do prazer 
que sempre tarda
és poeta e sabes quem eu sou, ela, 
ela só chorou em meio ao meu corpo apodrecido
e
assim ficamos os três
sem que nunca a carne que me serves
nos una
para além da boca
onde 
a ambas
agora depositas sustento farto dado teu corpo à míngua
e nossa língua cortada
como se não foramos jamais filhos da palavra

fico chovendo

fico chovendo a seiva que desaguou em mim
à tua passagem
e meu corpo quebrado quebradiço embalado
pelas mornas marés do teu caminhar
desemboca nos passeios no meio fio
nas pernas dos que atravessam enchentes
e não sonham que sou chuva
onda lágrimas e um possante desejo de ser
gota apenas
se derramando
sobre teu olhar

Saturday, April 22, 2017

pântanos

vivemos nos interstícios, nos meandros do tempo
onde não soa a palavra nem vive a voz
do rosto
são
que aperto entre as minhas pernas quando mergulhas
cem horas de qualquer coisa que não se chama pão
porque isso é coisa de gente invenção de quem não sonha
os rios lamacentos onde jazem vivas
as marés de Outubro e Dezembro
Nós
vivemos por lá
onde senão fala outro linguajar
que não os roucos moucos loucos urros com que
traçamos
com a ponta da língua
o alfabeto
nesse mesmo pantanal

Monday, April 10, 2017

se chorar tudo passa tudo passa amor meu

se chorar tudo passa tudo passa amor meu
tudo passa
e
lavarei meu peito
e
teus pés
e nossas palavras
lavá-las-ei
em águas mil
quatro vezes tantas quantas
aquelas
golfadas
de
amor
e
de
porrada
se chorar tudo passa amor meu
tudo passa

oh no you did not want this my love

oh no you did not want this my love
you never dreamt this would be me
me so sweet so gentle so cute
you would make a pendant
and put my face on it
no I doubt you dreamt of this
of creating such a wild beast
it would eat you
in
one
swallow

sei bem demais que enlouqueci

sei bem demais que enlouqueci
que já não há quem me salve desta selva
emaranhado de vocábulos
verbos corpos de objeto direto
e pronomes possessivos sem ter a quem
possuir nem esgatanhar nem arranhar
que agora já perdi o tino
já não sou gente que se possa apresentar
nem animal de estimação
que finalmente não se abata a tiro
porque me perdi em vendavais de desejo
tão grandiloquentes que dúvido
que haja alma
nesta terra ou na outra
capaz de me aplacar

e faço o quê sem ti?

e faço o quê sem ti?
roço-me pelas paredes
como um animal
no cio
faço-me gata vadia
e atiro-me pelas ruas
urrando ao Deus dará
o teu nome
E se Deus não Dá?
darei eu
a quem me quiser comer
qual cadela esfaimada
loba ensaimada
e se não houver quem me açoite
a golpes de chicote
hei-de alçar meu corpo redondo
parido de sangue e filhos
que fizemos a trote
nos leites de desmamar
e ser tua
simplesmente tua
sem ninguém
para nos chorar


Saturday, April 8, 2017

please grab the nails

please grab the nails
the long, thin ones
and the hammer
the one i use for the seeds
for the tea
for the pain
to
go
away
please grab the nails
i need to hammer them
deep
into the hands
the shoulders
the arms
my back
and certainly my legs
and feet
In the end give me two more
i need to poke
the eyes
i do not want to see
how i look
with all those holes
dug
through
me


minutes

i cannot recollect when she said:
i'm afraid you will die mom
not yet, i said
there are still 11 more years
and 54 minutes
at least
today, she asked
you rather die of cancer or alzheimer's
both
cancer first
and then alzheimer's
why
so i'll forget
why did i die
the first time.
but we still have
54
minutes.
mom.
don't cry.
i'm afraid we still have
54
minutes.

Friday, April 7, 2017

com tanto jeitinho pediste quietinho

com tanto jeitinho pediste quietinho
quase já nem lá e ainda menos com
estas mãos
desossadas
em teu colo
com tanto jeitinho pediste
que empurrasse
o mundo
para lá
que
meu deixei ficar
só o manto
sobre o chão
para que te pudesses deitar
e eu
olhar
teus velados espelhos onde não espreito
porque ceguei
amor
ceguei
quando te vi
assim
tão de mansinho

Para ti cantaria e dançaria

devia ter-te dito amor
meu amor meu amor meu amor
que cantaria
e dançaria todos os dias
ao cair da noite
quando me caem os pesos do morto
tempo em que me criei pelas horas
arrastada
correntes
amarras
corroendo seus cruéis murmúrios
de ferrugem
leve
onde me ergo
qual
manhã que te perdi
tão cansada
tão sozinha
que se riram as árvores de tanto sofrimento
devia ter-te dito meu amor
que assim
para ti
cantaria
e
dançaria
para que não te esquecesses que assim somos
tu
e
eu
a morte renascida


Agora

preciso que venhas agora
que largues todas essas zinhas meninas e coisinhas
com que te entreténs como menino que és
e venhas
Agora
antes
que meu corpo se esfume por entre os meus braços
apertados contra os meus seios
nús
vem agora
antes que a minha alma
se estrangule
no abraço
com que me deito
sobre
mim

(a)Mar

se as minhas pernas se entregassem à maré
o mundo seria conchas e vendavais
e meu peito
teu barco
à vela
teu navio
de batalha
sor
e Tu
capitão de Mar e Guerra
como era para ter sido
desde
Sempre

poison

and how many of you
have I poisoned
slowly and lovingly
giving you nothing but
myself?
did they tell you about that?
that some, very rare and strange
lost forlorn women in this world
will kill you
just because
of how
                      perfect
          their   love   grows       from an untouched bosom?

Thursday, April 6, 2017

o céu

lá no alto, sobre o parapeito da tua janela
em bicos de pés
espreito
sobre o céu azul que se estende inteiro
convidando ao salto
mortal
mas o cheiro
de manjericão
e do café doce que bebes de joelhos
entre as minhas pernas
se parecem mais com o paraíso

Tuesday, April 4, 2017

now i truly follow blind

now i truly follow blind
the water all the way up beyond my eyes
my feet pulling me down
onto the blue
that mirrors the pool
where i drown
willingly
as you dig
your tongue
into
our song
and my body shatters
in the water

Saturday, April 1, 2017

wind

there's a strange wind rolling
inside of me
on and on
as if its wind indeed
in the Alps
                   while the clouds
wrap themselves around my waist

the wind whistles low
and dark through my bare veins
as if calling
the dog
so,
I follow
   hollow
   so the wind
               can whistle
and my veins can twistle
and the whole set of mountains
comes crackling
down
on top
of you     and me.