Monday, December 31, 2012

minhas mãos


minhas mãos como pergaminhos,
o ventre sul suando loucamente
como ultimamente quase sempre
e eu beirando a loucura deitando-me ao rio de culpas que devo engolir,
talvez cuspir, se Deus me for brando, na hora da morte.

Escrevo como se o fim já tivesse sido, e eu fosse o que de mim restasse
e tu de mim falasses
ao acaso
namorada a loucura, a morte e a fome
(fome do que não como
fome do que como
como se esfaimada fosse comendo e se me acabassem as fomes).

os mapas escrever-se-iam nas minhas mãos
mas meu ventre pulsa irado
sem que irrompa o dia
entreguei-me à loucura
esperando acordar
esperta
ah se ao menos Deus me for brando
na hora da morte
e eu me perdoar as culpas
eu me perdoar
as
culpas

se eu me perdoar na hora da morte
escreverei o mapa da descida aos infernos
a lâmina de faca afiada
nas minhas mãos
pergaminhos de mapas de loucos que em vão tentaram atravessar o inferno (do dia).


Sunday, December 9, 2012

a última portada

talvez sobreviva o fim do corpo
enquanto me afogo e o tempo passa
e a água são as cordas sobrevidas
onde sou o que de mim é
porque nada mais se fez
senão a sombra de quem seria
acaso não tivesse havido o sangue
o sexo e as cordas com que a atavas a ela
e me enforcavas a mim
pelas minhas mãos serenas
convictas de que apenas o sangue
o sexo e as lágrimas nos abrem
o fim da última portada
do sétimo circulo
onde Dante não escreveu nada
de que eu não saiba
como uma oração

Tuesday, December 4, 2012

they die on my cradle

they die on my cradle
back home

here the cemeteries lay
crowded with strangers
so that life sits still
while I die the deaths
of my own
on the mirror

but its on my cradle
that death kills
them
maybe
me