Tuesday, December 23, 2014

Ah menina, o vento lá fora

Ah menina, o vento lá fora
parece feito de vidro
caquinhos de pó
que arranham o rosto quando passam
das ventanias do Sudão
que se alargam até para lá do mar de
Marraquexe
Ah menina cubra o rosto
como as árabes que assim preservam
sua tez
Ah menina cuide de sua cútis
o vento de vidro
que arranha teu rosto arranha teu rosto
é só isso
só isso
só isso mesmo
caquinhos de vidro menina.
Cubra o seu rosto.

Monday, December 22, 2014

International Man of Mistery (at the doorstep of our house)

There is nothing you won’t do
At the doorstep of our house (home)
But it was
It was
just
an
i
d
e
a

(at the doorstep of our house.) (home)
It was nothing.
You are right.
I was just online
trying to chill out.
It’s cool, 
I’m 
very 
proud
!
At the door 
step 
of this house.
you did well
But,
notice,
"this
house"
 How 
would            you                             even       be 
witH                out      this                         House?

antes de tudo o mais hei-de chupar-te os olhos
como se faz com os gorazes
e depois
cuspi-los
na tua boca
aberta
hás-de gritar como os porcos
no dia da matança
mas já nem sequer terás o prazer imenso de te ver chafurdar
no próprio sangue.

since

since you have destroy-ed-me
now re-build-me
i'm afraid i'm forgetting
how
to
breath.

Tuesday, December 16, 2014

Pavlov















O corpo desenrola-se como se de um papiro
Se tratasse
Aberto sobre a mesa
Como que ondula na memória
Da tua língua
Indo ao encontro da perfeição da página

Com a ponta dos dedos debruçando-se
Sobre o início do mundo pediste-me
Que de novo desembrulhasse o papiro
E teus dedos quase rasgaram o ar
Na ânsia do toque.
Não respiro ao calor da tua boca
Que humedece o papiro até que só
Teu cuspo.

Teu rosto em direção ao meu
E a língua longa elongando a página
Sobre a mesa

E mil vezes abri o papiro
Sem luz que alumiasse a letra
E mil vezes
Me desmanchei

Sentindo teu cuspo sobre mim.

Sunday, December 14, 2014

Often as a man I will do as slave masters did

Often as a man I will do as slave masters did
strip your soul, by taking your body.
Instead I want to engulf all at the same time.
Have your body for breakfast
Your spirit for dinner
Your soul as an after thought

My feeding on your soul is as real as the day is long
And as I slowly savor your flesh
The minutes turn into hours
Chained in my tongue
You will erupt on my island
causing me years of disruption.
I want to forever be
becoming. past, present, and future.
and if you die tomorrow
I’ll look for your soul
Sucking time and space
Until I can swirl my tongue again
Through the body of your text
As the master, I write.
I, you, we,
(and society)
need disrupted from the clear status
of our natural boring being.