correndo por entre os carvalhos...

correndo por entre os carvalhos
caiu
as vestes negras emaranhadas
nos galhos
nas folhas
os olhos no céu e as aves
que se aproximam
rasando
até pousar sobre si
um enorme corvo
azeviche
sobre o seu ombro
exposto
exala longamente
silenciosamente
afastando o corvo
à medida que se levanta
encostada aos enormes carvalhos
e corvos são anjos
ou homens
cavalos e espadas
resplandecentes
e asas que a erguem rumo
à copa
e ele sorri
e não se vêem mais vestes
brancas nem negras
corvos nem gente
apenas
um gigantesco carvalho e
longos cabelos
negros
acobreados
anelados
nos dedos dela
enrolando-se nos galhos
e nos pássaros
e roçando o chão
e o carvalho erguendo-se
em direcção ao céu
e o riso largo
ecoando por entre a floresta
hoje
ainda hoje

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